25/01/2011

Pune - continuando...

Hoje vou postar sem fotos, não consegui conectar a internet no meu computador, estou em um computador totalmente estranho para mim. Por falar em fotos, quero fazer uma observação na última postagem. A  ultima foto, a mulher estava trabalhando como ajudante de pedreiro, fazia trabalhos pesados, a foto foi tirada quando parou para uma breve pausa.
Pune não é uma cidade turística por isso os preços são reais, e inacreditável quando a gente converte. Dá vontade de comprar tudo, mas temos que "segurar a onda", senão as bagagens pesam muito e ainda temos várias viagens pela frente. Resolvemos "arrastar o sari no mercado,"pegamos um rikisho e fomos até uma rua chamada Mahatma Gandhi Road. O trânsito da Índia é famoso pela loucura, motos, carros, rikishos, bicicletas e muitas pessoas. Buzinas soam o tempo todo, para eles não são ofensivas, elas indicam ultrapassagens e obrigam pedestres saírem da frente, mesmo que eles estejam corretos. Gestos com as mãos fazem papel das setas. Aqui contraria-se a lei da física: dois corpos podem, sim, ocupar o mesmo lugar no espaço e se brincar ate três. Eles nunca param, mesmo que seja em um cruzamento, no máximo diminuem a velocidade, vale tudo passar pela calcada, desviar, ir pela contra-mão até ficar cara-a-cara com o outro, passar entre dois carros ou rikishos onde você olha e vê que não tem espaço e pensa: não cabe... não cabe... como num passe de mágica fazem caber. Nesta altura ou você morre do coração ou abstrai e acha tudo fantástico (Rs!). No meu caso desde o inicio fiquei com a segunda opção.
Chegamos a uma rua superlotada, é preciso muito cuidado, atravessa-las é quase uma missão impossível. Não há semáforos, nem lei, toda atenção e pouca nesta hora. Entrar nas lojas e descobrir as maravilhas que cada uma oferece é fascinante, sem falar nos preços que são convidativos.
Continuo depois...

22/01/2011

14 dias em Pune


Só hoje, um mês após estar na Índia, é que estou tendo acesso `a internet. Como tenho um diário sobre a viagem, vou continuar escrevendo minhas impressões dos lugares onde estive.
Estou em Pune, na casa da minha filha, tudo aqui é diferente...acordo às cinco da manhã ao som de mantras vindo das casas vizinhas, cheiro de incenso, sinos tocando, vozes... durmo novamente.
 Pune é uma cidade grande, nesta época do ano a temperatura fica em torno de 20graus durante o dia e 12 graus `a noite. As vezes nem eu mesmo acredito que estou aqui. Devagar vou descobrindo esta cidade, uma cultura tão diferente que encanta e choca ao mesmo tempo.
Me encanta ver cachos de jasmins frescos presos nos cabelos das mulheres
Me encanta os saris coloridos, os acessórios dourados, a feminilidade e a força dessas mulheres. Me encanta vê-las fazendo a feira pela manhã e a tardezinha.
Me encanta e, ao mesmo tempo, me enjoa a mistura de cheiros.
Me encanta a culinária ( já conhecia muito dela ), doces e pães deliciosos, mas é preciso saber escolher.
Me encanta os contrastes... a diversidade... até mesmo a loucura do transito me encanta neste primeiro momento.
O jeito engraçado como os homens ( quase sempre vestidos com tons beges ) lançam longe jatos de cuspe salivantes e avermelhados, depois de mascarem uma espécie de fumo e também como andam abraçados, mãos dadas ou com os dedinhos entrelaçados...
Me encanta as lojas, as joalherias, os lenços de seda, os saris, as esculturas e tantas coisas mais...
Me estranha e muitas vezes me choca ver pessoas vivendo em condições sub-humanas... é de cortar o coração!
Me estranha o lixo, o esgoto e pessoas ocupando o mesmo espaço.
Me estranha ver que eles parecem não perceber a sujeira que está por toda parte.
Me estranha o fato de que pedestres não têm nenhuma prioridade ou direitos.
Me estranha o barulho ensurdecedor das buzinas.
Me estranha o fato de não haver uma consciência ambiental, ecológica.
Me estranha ver vassouras sem cabos.
Me estranha e, muitas vezes, até me divirte, ver como os homens têm prioridades, são servidos primeiro, são ouvidos, são mimados pelas mães e depois pelas esposas. Urinam pelas ruas sem o menor constrangimento.
Me estranha, mas também me encanta, ver como são habilidosos na arte de desviar.









Continuo amanhã!

03/01/2011

Chegada à Índia


"Meu Deus", é a única frase que consigo expressar quando me lembro da chegada à 4:30hs. da manhã no aeroporto de Mumbai. Muita gente, desorganização, sujeira, burocracia. Filas intermináveis para tudo... várias delas... e estas filas não são nem um pouco respeitadas, se bobiar passam grupos e grupos de pessoas na sua frente... ou até por cima... sem o menor constrangimento. Depois de passar por estressantes filas, muitas totalmente sem sentido, fomos até o desembarque das malas. Aí começou uma loucura total, procurando pela esteira do nosso voô, fomos parar no meio de um outro desembarque, onde ficamos sabendo mais tarde que estas pessoas," milhares delas" na verdade, estavam chegando de uma peregrinação e traziam com elas galões de água, considerada sagrada. Vou resumir o acontecimento que durou minutos e para mim parecia não ter fim, De repente estava eu perdida, levada pela multidão sem nem sequer poder movimentar os braços, no meio de um "mar" de homens de branco e mulheres de preto só com os olhos à mostra. Muitas delas se aglomeravam junto com galões de água e caixas enormes, sentadas no chão molhado e sujo, enquanto homens de branco se agitavam falando alto em seus idiomas, tiravam seus pertences das esteiras, gesticulavam muito, tudo isso ao mesmo tempo. Eu tentava sair dali e não conseguia, me empurravam de um lado para o outro, como se eu não existisse, tive que escalar as bagagens e galões para sair daquela loucura. Finalmente encontrei meu marido e minha filha e imagino que ficamos esperando por nossas malas por no mínimo uma hora. Em seguida enfrentamos a pior parte, passar por corredores intermináveis, lotados de homens de branco e mulheres de preto com seus carrinhos super lotados com bagagens gigantes.Todos queriam sair ao mesmo tempo e por cima de quem tivesse na frente. Mulheres de preto rumavam seus carrinhos em nossos calcanhares e empurravam sem dó nem piedade, por três vezes parei e olhei bem dentro dos olhos delas e pedi calma, paravam por um momento e depois recomeçavam. Os homens balbuciavam palavras de uma forma grosseira e te atropelavam da mesma forma. Meus pulsos começaram a doer terrivelmente por apoiar as malar e tentar conduzi-las pelos corredores sem espaço. Finalmente a porta de saída, ela era de duas folhas, mas para dificultar uma das folhas estava fechada... do lado de fora milhares de pessoas esperavam as famílias branco e preto. Foi difícil a saída e depois encontrar nosso motorista, já no carro seguimos viagem rumo a Pune. Mais algumas horas na estrada, nosso motorista com sua unha do dedinho grande, dormiu no volante por várias vezes, nós ficávamos chamando ou cutucando a todo momento. Eu estava tão estressada com o aeroporto, que a loucura do trânsito nem me afetou. Chegamos em Pune às 9:30hs., ver milha filha foi como um calmante, em segundos tudo estava bem. Entendam que com esse relato não quero de forma alguma ofender ninguém e muito menos falar de culturas que não tenho conhecimento, as expressões usadas foi uma forma da expressar minha experiência e com uma visão muito própria desse momento da nossa chegada ao aeroporto, fiquei sabendo que nem sempre é assim, foi uma infeliz coincidência.
 













01/01/2011

Uma noite e um dia em Istambul


Já no percurso entre o aeroporto e o hotel, percebia-se a beleza da cidade. Chegamos à noite, de banho tomado e um pouco mais descansados subimos para jantar no restaurante do hotel, que ficava no 6º andar.
A vista era deslumbrante, a poucos metros dalí, gaivotas brancas iluminadas pelos refletores das grandes torres que pertencem à famosa mesquita azul, pareciam seres celestiais que sobrevoavam o lugar.
Por um momento me senti como parte de um cenário do filme Harry Potter! Infelizmente a foto não consegue captar toda a magia do lugar.
Na manhã do dia seguinte, constatamos a beleza e o esplendor da mesquita, seu interior é todo trabalhado com pinturas e azulejos em tons de azul com pequenos detalhes em vermelho. O tapete aparentemente sem emendas, aconchega os pés enquanto os olhos se deslumbram com a arte e a beleza do lugar.
Um breve giro pelas ruas e fomos para o mercado egípcio. Bancas com frutos do mar e especiarias ficavam do lado de fora, dentro, doces, roupas, louças e lanternas coloridas preenchiam corredores lotados de vendedores e pessoas.
De tempos em tempos ouvia-se cantos sagrados vindos das mesquitas. Isso me trazia uma agradável sensação, talves pela mistura de tudo, o lugar exótico, companhias queridas e novas descobertas.
Saímos dalí e almoçamos um prato tipicamente turco, servido de uma forma totalmente diferente em um lugar aconchegante. Enquanto almoçavamos viamos o movimento na rua, mulheres lindamente vestidas com seus lenços bem posicionados deixando apenas seus rostos exóticos à mostra.
Logo depois do almoço, em um copo próprio de cristal, nos serviram o melhor chá de maçã, "ever"!

Algumas horas depois já estavamos devolta ao aeroporto.