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19/06/2013

À procura de cortinas numa tarde de Junho


Desço as escadas do meu prédio, como sempre faço. Estou prestes a ir em frente em busca de cortinas para o nosso apartamento que está com todos os móveis entulhados e coberto por lonas, piso empapelado e pó por todos os lados. Três pintores lixam e lixam ao som de "Esse cara sou eu!" E eu lá, no meio de toda aquela empolgação. Não levei muito tempo para decidir que "a tarde é uma criança" e que devo sair. Há alguns anos vi uma cortina no consultório da minha terapeuta e me encantei com o acabamento. Perguntei de onde era e ela me falou de um lugar chamado Novo Stillo. Escondido, pelo que me lembro, atrás da Praça do Rosário, e é para lá que me dirijo. Assim que chego sou recebida por um senhor de fala baixa. Nesse momento, a única voz que escuto e entendo é a minha.
- Gostaria de ver cortinas para minha casa.
Ele mal abre um sorriso, garantindo-me que este não foi o pedido mais extravagante que ouviu esta tarde.
- A senhora tem idéia do que quer?
- Sim. Passo para ele todas as informações possíveis. Como se eu soubesse mais sobre as cortinas do que sobre mim mesma.
 Ele prossegue me mostrando e explicando sobre cada detalhe dos materiais e da montagem. Estou encantada.
Há quanto tempo o senhor trabalha nesta área? Pergunto. Imediatamente faço um esforço imenso para escutá-lo e entendê-lo
Agora sim, ele abre um grande sorriso e diz:
- Tem pouco tempo. Desde 1964. Diz em voz muito baixa.
Penso comigo mesmo: "Será que estou ficando surda?"
Vejo que ele se entusiasma e eu também ao ouvi-lo contar como foi o início de seu trabalho e quem eram seus concorrentes. Sorriu novamente ao falar que já não existia nenhum deles. Deixava-me totalmente concentrada na  história sobre o que se usava na época e o que voltou à moda hoje em dia. Finalmente eu conseguia escutá-lo. Acho que ele descontraiu com a conversa e soltou a voz. Eu gostava daquele som. Eu gostava de ouvi-lo. Parecia outra pessoa e não aquela que me atendeu logo que cheguei. Falei com ele sobre o meu trabalho. Apartir daí a conversa parecia não ter fim. Eu sabia o suficiente sobre as minhas cortinas, na verdade, o que estendeu o nosso assunto foi à volta do que já se usou um dia.
 Ele disse: - Tudo voltou, menos as cortinas de renda.
- O senhor está enganado. Afirmei.
Falei sobre a volta dessas cortinas, a volta das cortinas de veludo, dos tecidos adamascados e dos florais. Percebo sua expressão de surpresa e dúvida ao mesmo tempo.
Minha visita durou mais do que o esperado. Acho que falei demais. Sinto que preciso ir.
De volta ao lado de fora, sob o sol, respiro fundo e faço o caminho rumo à minha casa. Imagino que, a esta altura, os pintores devem estar terminando o seu turno. De volta ao pó.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagens: Lizzonet
James Hare
Tumblr
 

04/06/2013

Ana fez com que eu me sentisse acolhida em sua "casa"

Feriado de quinta-feira. Acordei cedo e esperei por minha irmã e minha mãe. Seguimos viagem rumo a Goiânia. Estamos indo para o casamento do meu sobrinho. O casamento será no sábado à noite, na cidade da noiva, que se chama Itauçu e fica a 60 quilometros de Goiânia. Planejamos uma viagem tranquila, sem pressa. Escolhemos o hotel e decidimos que nossa sexta-feira seria reservada para as compras. Depois da nossa expedição de compras fizemos uma breve visita à casa da minha irmã. Já era noite quando seguimos viagem com destino a Itauçu. Chegamos tarde, nos instalarmos e caimos no sono.
Passa um pouco das nove, na manhã de sábado, quando decidimos conhecer a cidade de Goiás ou Goiás Velho. A manhã está linda e eu estudo cada detalhe da paisagem. Pouco tempo depois estamos batendo pernas pelas ruas da pequena e charmosa cidade histórica. Estamos encantadas com o lugar e totalmente despreocupadas... não tem pão esperando para ser retirado do forno, nenhum prazo de trabalho expira esta manhã, nosso único compromisso é explorar. Não demorou muito para sentirmos fome. Paramos em um restaurante com uma fachada estilo colonial.Ele chamava a atenção pela simplicidade, estava lotado e o cheiro que vinha de lá era delicioso. Entramos no restaurante Braseiro. Vi uma senhora que estava limpando as mesas e perguntei se ela era a dona do restaurante. Ela respondeu que sim. Então perguntei se ela aceitava cartão de crédito. E a resposta foi: - "Aceito, mas mesmo que eu não aceitasse vocês comeriam aqui, pois todos os que entram em meu restaurante são bem vindos e fazem parte da minha  família". Eu já estava encantada com a cidade. Àpartir deste momento fiquei encantada com a hospitalidade. Um grande fogão a lenha nos aguardava repleto de delicias que eram totalmente parecidas com a nossa tradicional comida mineira. Assim que terminamos o almoço, um café foi oferecido junto com um prato cheio de lascas de doce de laranja cristalizado trazido pela simpática dona Ana. Tudo estava delicioso! De volta, descansamos e nos preparamos para o casamento.


 

22/01/2013

O Casamento do Thiago e Carla

Na verdade, essa é minha primeira postagem depois que voltamos das férias. Logo que voltamos ficamos ocupados com a organização e a decoração de uma festa de casamento. O noivo eu já conhecia. Ele fazia parte de um grupo de amigos de minhas filhas desde que eram adolescentes. Mas confesso que quando nos encontramos para falar sobre o casamento foi uma surpresa tanto para mim como para ele, já que fazia um bom tempo que não nos víamos. Ele trabalha com computação e adora jogos como: xadrez, war...  A noiva, eu conheci no nosso primeiro jantar do dia dos namorados no Gaaya Spice. Carla é o seu nome... linda, sensível e autêntica. Uma pessoa que não tem como não gostar. Ela é artista plástica. Logo que conheceu o nosso trabalho se identificou e tempos depois nos procurou para fazer a decoração do seu casamento. A decoração tem um toque vintage. Mais uma vez, fizemos questão de usar materiais reaproveitados junto com os antiguinhos.
Mas para falar sobre essa decoração preciso mostrar o convite do casório para que possam entender o contexto. O convite traz a frase: " Da Raiz Ao Halls"- Rumo ao Desconhecido...



O lugar onde aconteceu a festa era paradisíaco e o dia amanheceu lindo. A cerimonia foi ao ar livre, embaixo de uma flamboyant. Na mesa da cerimônia colocamos uma enorme lata xadrez, antiquíssima, cheia de flores. Aos pés da mesa, uma raiz fazia referência à frase do convite, assim como também os balões dourados.





Dois salgueiros-chorões serviram de teto para o lounge. Debaixo deles, distribuímos um catri, duas cadeiras de junco e uma queijeira que serviu de aparador para o filtro de água fresca, os copos e os halls.



A medida em que os convidados iam chegando, bonés eram entregues aos homens e leques às mulheres. Assim os convidados amenizavam o calor enquanto aguardavam a cerimônia.



O painel com o nome de todos os convidados foi organizado por ordem alfabética. Ele indicava a mesa em que cada um iria se sentar. Desta forma, famílias e pessoas que tinham afinidades estavam com seus lugares reservados.

As mesas dos convidados ganharam números feitos sobre um desenho aquarelado que eu mesma criei. Os desenhos mostravam pássaros que ora carregavam halls, ora raízes, presos por cordões em seus bicos.







A frase do convite também nos inspirou na hora de montar as lembranças. Saquinhos de papel craft foram carimbados com desenhos de pássaros. Eles ganharam "tapetinhos" de papel rendados e amarração com cordão crú que prendiam pequenas raízes. Dentro, haviam halls.
Nós montamos sobre uma porta rústica e velha, um painel com fotos dos noivos, seus familiares, amigos e alguns objetos que tinham haver com o momento. Neste mesmo ambiente, a luminária dourada recebeu uma linda trepadeira. Ela veio do Antiguário Centenariun's e o coração rendado de metal da loja Gaaya.






Quem está curtindo a postagem e as fotos, vou continuar no próximo post, não percam mais fotos lindas da mesa de bolo e cupcakes, buquê, fascinator, os noivos, e muito mais...


12/12/2012

O gosto salgado da vida - Parte 2

O tempo que fiquei no centro cirúrgico demorou mais do que o esperado. Fiquei sabendo depois. Essa cirurgia foi para retirar um pólipo (não canceroso) que estava envolvendo o revestimento do intestino. O fato é que ele estava grande demais. Fiquei sabendo também que durante o processo cirúrgico o aparelho que iluminava a parte interna do meu corpo parou de funcionar. Agora eu penso; será que foi aí que recebi aquelas visitinhas?
Escuridão total. Tensão...
E eu lá... flutuando...
Felizmente eu estava em boas mãos. Uma das especialidades do meu marido é terapia intensiva e por mais de 15 anos ele chefiou uma UTI. O Dr. Paulo Henrique é um cirurgião competente e eu estava totalmente segura em suas mãos.  Então, tudo foi resolvido e volto ao ponto que parei na postagem anterior. Porque é sobre isso que quero falar aqui. Como um paciente é tratado dentro de um hospital.
Voltando...
Eu estava na UTI.
Sentia um sono estranho, parecia superficial. Acho que eu estava dopada com os medicamentos. Ouvia e entendia tudo que as pessoas falavam. Só os meus olhos que continuavam pesados. Havia uma iluminação forte no lugar, talvez isso tenha me incomodado.
Estou deitada e com uma sede terrível. Mas não posso beber água. Fizeram uma "bonequinha" com gaze e uma espátula de madeira para molhar minha boca de vez em quando. Eu tinha vontade de engolir essa "boneca" molhada tamanha era minha sede.
Lá estou eu, meio sonolenta, quando ouço uma voz forte:
- Meu nome é Leandro e hoje eu sou o enfermeiro responsável pela senhora.
Abro os olhos e vejo um cara de mais ou menos 1,80metro de altura por 2.20m. de largura. Moreno e com uma expressão forte no rosto.
Ele continua:
- Agora nós vamos levantar e tomar banho.
Penso: Nós quem cara pálida?
Sem que eu pudesse falar nada, mesmo porque eu não estava com a menor vontade de interagir, ele levantou a cabeceira da cama, me pegou no colo junto com mais "um trilhão de fios" e me colocou sentada em uma cadeira especial. Soltou o laço da "camisolinha" que estava preso no meu pescoço e me levou para o banheiro me dizendo: - Não se sinta constrangida. Estou acostumado com todo esse processo.
Penso: Mas eu não, cara pálida! Quem é você? E quem disse que quero tomar banho com um homem estranho?
Mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa ele puxou a camisola e me enfiou uma touca e abriu o chuveiro. A água caiu bem em cima da minha cabeça. Minha vontade era de não existir... gostaria também que o 1.80x2.20, a cadeira, a bonequinha e tudo que estava em volta não existisse.
O cara esfrega minhas costas, braços e pernas... Olho para frente e vejo a porta completamente aberta e o pior... vejo meu marido parado olhando a cena toda... Ai meu Deus!
Porque as pessoas que trabalham nesses lugares acham que ninguém precisa de privacidade?
Banho tomado, camisolinha limpa e volto para a cama. Completamente calada.
Pouco tempo depois ouço um grupo de enfermeiros dizer que vão jantar.
Durmo um pouco e acordo com o som alto da televisão. O posto da enfermagem era bem de frente da minha cama. Haviam duas enfermeiras que assistiam TV. e comentavam sobre a novela. De repente o meu monitor dispara e dá o sinal que meu soro acabou. Escuto uma delas dizer: - Depois não querem que eu fique doida com o barulho desses aparelhos. Dizendo isso ela aumenta o som da TV. Chamo por elas, chamo pelo 1.80x2.20 e nada. Fico um tempo quieta e faço uma nova tentativa. Uma delas vem e eu digo que meu monitor disparou e ela sem se aproximar me diz que não é o meu e sim o do paciente ao lado. Olho para o soro e vejo que não tem nem uma gota e ouço o monitor gritando, mas fico quieta. Um tempo depois chega outra enfermeira e diz: Seu soro acabou, vou colocar outro. Peço que ela abaixe o volume da TV. Me olha de cara feia e logo depois desliga aquele barulho infernal. Graças a Deus!
Várias coisas aconteceram nesta noite. Coisas inacreditáveis. Pacientes mal cuidados, enfermeira que ficava o tempo todo com o celular tocando funk ou axé. Funcionários que reclamavam do seu próprio trabalho, conversas, barulhos, documentos perdidos... e podem acreditar, teve até um parabéns cantado por todos eles em alto e bom som.  Quando saí da UTI vi por todos os lados por onde passei uma placa que dizia - Silêncio - É brincadeira!
Mas no quarto não foi diferente não. Demoras, mal atendimento, enfermeiras de scarpin e bem vestidas que nunca estavam presente. Tive o braço todo picado por um atendente, não sei se é assim que são chamados, na verdade, poderia ser servente... pedreiro ou qualquer outra denominação... mas nunca enfermeiro. Ele tentava puncionar minha veia. Até eu pedir para que ele não me tocasse mais. Depois fiquei sabendo que a agulha que ele usava era inadequada, grossa demais. Não estou brincando, fiquei com trauma de agulhas. O soro que me colocaram ficou uma noite e uma manhã sem sair do lugar. E todas as enfermeiras de scarpim acharam isso normal. Quando tive alta nem acreditei. Queria abraçar e beijar meu médico por me libertar daquele lugar.
Em casa eu me sentia segura e bem. Quando no dia seguinte acordei com febre entrei em pânico com receio que eu fosse ter que voltar ao inferno.
Graças a Deus isso não foi necessário!

 

10/12/2012

O gosto doce e salgado da vida - Parte 1

Poderia estar aqui postando sobre o Natal ou sobre as últimas festas que decorei. Mas quero falar um pouco sobre minha experiência em um hospital. Até então, só havia me internado para ter minhas duas filhas. o que posso garantir que é muito diferente. No dia 26 de Novembro, numa segunda-feira, chego ao hospital às seis e meia da amanhã. Meu marido me acompanha. Não sinto nada, nem medo, nem ansiedade... simplesmente procuro não pensar no assunto. Será que isso é estranho?! Estamos em uma sala aguardado que meu nome seja anunciado. Não demora muito. Lá estou eu, em um outro quarto sendo preparada por uma atendente simpática que logo me coloca aquele "velho modelito" que todos nós conhecemos. Branco com pequenas estampas azuis, uma fenda nas costas que vai desde o pescoço até a cocha. Tudo fica a mostra e o pior, não tem como evitar. Me deito na maca tentando ajeitar as laterais do "modelito"que de tão ousado deixa de ser sexy. Ela chama por um nome estranho e logo aparece um cara alto e forte que "dirige" a maca até a entrada do centro cirúrgico. A porta se abre rápido e sou puxada para dentro por uma pessoa que diz: - Sou eu, Dr. Paulo... ele puxa a máscara e por trás dela há um sorriso que poderia tranquilizar qualquer pessoa ou melhor; qualquer criança. Por que será que nesta hora todos nos tratam como se tivéssemos cinco anos de idade?
Não importa! De qualquer forma, confio nele e gosto daquele sorriso. Ele me leva para uma outra sala e me transporta para uma outra cama. Então se afasta levando nas mãos todos os meu exames. Acompanho com os olhos e o vejo lá no canto examinando os papéis. Logo meu braço é puxado e preso ao lado da cama. Minha atenção se volta para a jovem enfermeira que começa os procedimentos necessários para a cirurgia. Olho para ela e vejo uma forte camada de sombra azul cintilante sobre os seus olhos, as bochechas carregadas com blush e os lábios tem o tom de rosa pink. Olho de novo para me certificar e tenho vontade de perguntar: - Onde é o batizado? É melhor não... logo vou estar inconsciente. Olho para meu marido que está ao meu lado e dou um sorrizinho querendo dizer: o que essa mulher está fazendo aqui com essa maquiagem toda?
Mas ele não entende e sorri para mim.
Uma moça loura se aproxima e diz que é a anestesista. Fique tranquila, tudo vai dar certo - diz ela. Foram as últimas palavras que ouvi...
Logo acordo em meus sonhos... Sinto-me como se estivesse flutuando - assim como os astronautas - Percebo que não estou sozinha. Do meu lado esquerdo vejo meu avô e minha avó. Com uma aparência mais jovem eles estavam um ao lado do outro, imóveis. Me olhavam fixamente. Do outro lado, mais aos pés da cama, vejo o meu sogro sentado em uma poltrona. Penso: onde está meu pai? O que meu sogro faz aqui? Ele também me olha fixamente. Continuo flutuando...
 Até agora não sei se isso foi auto sugestão, sonho, efeito da anestesia, maluquice ou alguma experiência espiritual. Se foi uma experiência espiritual, penso, eles estavam ali para me proteger ou esperando para me levar junto? Sei lá! Também não sei dizer se foi bom ou ruim... só estranho. Alguem chama pelo meu nome. Escuto mais meus olhos não querem abrir. O tempo passou e eu estou na UTI, mas eu mesma não tinha noção disto. De novo, ouço o meu nome. Abro os olhos e vejo o meu marido. Ele me pergunta se estou bem e eu digo que sim. Só quero dormir...

03/12/2012

Vida

Sete horas dentro do centro cirúrgico... dois dias na UTI... três no quarto de hospital... alegria de receber alta e voltar para casa... um dia bem... recaída no dia seguinte, febre e desânimo...
Estou me recuperando...

02/10/2012

O passado presente

Sete de Setembro, o dia acaba de acordar. Reflexos amarelados do sol que começa a despertar entram pela janela do meu quarto de hotel e me convidam para um passeio pela minha cidade natal. Estou em Bambuí, uma cidadezinha que fica perto de Belo Horizonte. Aqui eu nasci e logo me mudei. Voltei quando tinha nove anos e fiquei até os quatorze. Por cinco anos convivi e desfrutei da companhia de meus queridos avós, tios, primos e amigos. Neste lugar, fui ao meu primeiro baile... e a muitos outros depois. Conheci meu primeiro amor... meu primeiro namorado... e muitos outros depois. Tive meu primeiro trabalho, minha primeira calça jeans, meu primeiro soutiens... e muitos outros depois...
Cinco anos e muitas recordações.
Ainda na cama, observo a janela enquanto ouço um leve toque na porta.
-Vamos!
Reconheço a voz da minha irmã.
-Estamos te esperando!
-Estou indo. Respondo.
Eu e minhas irmãs havíamos combinado, no dia anterior, fazer um passeio pela cidade. Rever a casa onde moravam nossos avós, a casa onde moramos, a ferrovia, a praça e fazer algumas visitas aos tios.
No carro, minha irmã ficava com uma mão agarrada ao volante enquanto a outra apontava os lugares que nos faziam reviver um tempo que a muito já estava embrulhado e guardado em nossas lembranças. Percebo que alguma parte de mim ficou presa aqui e aqui para sempre vai estar. Talvez parte da minha alegria infantil, boas lembranças e sonhos ingênuos... A muito tempo não me sentia tão próxima do passado. Era uma sensação estranha... uma mistura de algo bom recheado de pura melancolia.

Durante muitos anos, o sobrado foi a pensão da minha tia. Me encanta os detalhes da arquitetura simples.



 
 
 
 
A estação ferroviária era um lugar por onde sempre passávamos. Indo para casa de nossos avós costumávamos atravessar entre os vagões. Hoje está totalmente abandonada. Mas, aos meus olhos, o lugar continua lindo e cheio de boas recordações. Aproveitei para fotografar minha sobrinha.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Minhas irmãs não acreditaram quando fotografei esse lugar. Mas, pensando bem, não é lindo reaproveitar um vaso sanitário para plantar amarílis. 
 
Detalhes 
 
O carro exibe abacaxis na praça 
 
O coreto 
 
 
 
A moça que vende cupcake
 
A moça que tem o sorriso mais lindo que já vi. Mas o bebê... 
 
O bebê também tem o sorriso lindo. 
 
O desfile das escolas - 7 de Setembro - A fanfarra
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As balizas de fanfarras 
 
 
 
 
 
Detalhes de alpendres
 
 
 
O sobrado que minha irmã morou assim que se casou.