06/03/2011

Bangalor

Na manhã seguinte, por recomendações do "meu médico particular", fiquei de repouso. O ventilador de teto está ligado, faz muito calor. Deitada com uma perna para cima apoiada em uma farta almofada, vejo um esquilo entrar por uma das frestas do telhado de madeira. Ele não se constrange com a minha presença, faz barulho e desliza com rapidez de um lado para o outro. Imóvel, só observo. Bichinho bonitinho e abusado, se aproxima, anda sobre os móveis, cheira os casacos que estão pendurados no cabideiro. Da mesma forma que ele entrou, rapidamente saiu. Aqui sozinha no meu quarto, penso: Pela primeira vez na minha vida e em um só dia, eu tive uma canela grossa, caminhei com uma bengala, andei de cadeira-de-rodas pelos os aeroportos e todos os caminhos se abriram para mim.
Até que não é tão ruim assim!
Graças aos cuidados e dedicação do meu marido e também graças ao seu ombro que me apoia, literalmente, ainda consigo caminhar um pouco. Meu tornozelo continua muito inchado e dói muito. Um médico do Spa veio me ver. Eu estava sozinha, quando ele e sua assistente entraram. Depois de me fazer várias perguntas, ele voltou-se para ela e fez as recomendações. Minutos depois, ela estava em meu quarto trazendo em uma das mãos, um copinho com dois comprimidos e na outra uma "tigelinha" com uma pasta de ervas que tinha uma coloração bem escura. Nitú era o nome dela. Delicadamente, espalhou a pasta de ervas sobre o meu tornozelo. Uma hora depois, voltava para retirar a pasta que já havia secado, desta vez, tinha nas mãos, uma toalhinha e um baldinho com água morna. Estes cuidaos se repetiram por várias vezes, durante a minha estada. Vestida com um punjab de cor creme, trazia um encharpe branco e transparente em torno do pescoço. Jóias douradas contrastavam com a pele escura. Falava pouco e seu olhar era suave. Eu estava totalmente entregue a essa moça, tamanha era a confiança que ela me passava. Me sentia tão segura, que tomei os dois primeiros comprimidos sem nem mesmo saber qual a finalidade deles. A delicadeza e a dedicação com que esta moça cuidou de mim, me surpreendeu. Fiquei surpresa também com a moça da faxina.  Logo que vinha arrumar o quarto, ela tratava de me colocar sentada em uma espreguiçadeira no jardim. Detalhe! Praticamente me carregava no colo, eu nem tinha a chance de dizer não. Muito magra e alta, tinha um rosto com uma expressão forte, dizia antes mesmo que eu conseguisse pronunciar uma só palavra: Calma senhora! Calma!
Nem mesmo conheci Bangalor, o tempo em que estive aqui, fiquei de "castigo" no spa. O pouco que vi da cidade, foi no caminho entre o Spa Ayurveda Gram e o aeroporto, mas já deu para perceber que é uma cidade grande e "moderna".

Aeroporto


O Spa






O meu pé

Um comentário:

Iris Barcelos disse...

Oiii amiga....saudades...estou amando essas postagens.Bjsssss.